BIOSHOCK 2 - Review
Bem-vindo de volta a Rupture
Em 2007 conhecemos por meio de BioShock o universo de Rapture, uma sociedade projetada embaixo do oceano por
idealistas e por aqueles que seriam considerados os melhores e mais capazes seres humanos. Porém, a ideia utópica de possibilidade de mudanças genéticas para aperfeiçoar o corpo humano fez de Rapture, ao invés de um paraíso com humanos perfeitos, um infernal abrigo de loucos e viciados.
Três anos se passaram e os desenvolvedores nos apresentam BioShock 2, a tão aguardada continuação que nos leva de volta ao sinistro e claustrofóbico mundo de Rupture, em eventos que ocorrem cerca de 10 anos depois do primeiro game. A novidade está por conta da mudança de perspectiva, onde o jogador assume agora o papel de um Big Daddy – que estava entre os inimigos do primeiro game -, mais precisamente da série Alfa chamado "Subject Delta".
Com a queda do líder Ryan, o personagem antagonista agora é a psiquiatra Sophia Lamb que assumiu a liderança e transformou aquelas pequenas garotas (agora jovens) do primeiro jogo em Big Sisters. Há obviamente um plano infernal por trás de tal feito e você é escalado para impedi-lo num roteiro extremamente bem feito e contado, que levará o jogador a diversas decisões morais no seu progresso.
Revolução ou expansão?
Se você ainda tem o primeiro game fresco na sua memória ou foi um dos que aproveitaram a promoção do Steam para adquirir também o BioShock 1 na pré-venda do segundo jogo, perceberá mais nitidamente o que vou dizer: a sensação é que BioShock 2 é uma extensão do primeiro game sem mudar muitos aspectos.
Além disso, o jogo tem um início morno que demora a engrenar. Só depois de 4 horas de jogatina é que começa a ficar interessante – o que é não é um ponto positivo se considerarmos que o game possui 15 horas de duração, ou seja, 10 horas a menos que seu antecessor. Essa primeira impressão já poderá frustrar boa parte dos fãs que vieram com sede ao pote.
De início o jogador não verá grandes diferenças entre BioShock 1 e 2. O jogo manteve-se nas mesmas características básicas em quase tudo, obviamente teve vários elementos aperfeiçoados e expandidos, chegando a parecer BioShock 1 turbinado e só. Mas quando jogamos pelo menos até o jogo engrenar, notamos mais detalhadamente as mudanças e aperfeiçoamentos na dinâmica do jogo, onde de fato justifica chamá-lo como uma verdadeira continuação.
Novos armamentos e mais ação
BioShock 2 não é um jogo em primeira pessoa “puro”, do estilo ação ininterrupta. Há diversos elementos de RPG e de estratégia que obrigam o jogador a pensar e medir suas ações. Neste game, não basta apenas atirar e avançar. É necessário aprender a agir de maneira estratégica, pois só assim poderá avançar em algumas fases difíceis e punitivas. Mesmo assim, notamos que há mais ação em BioShock 2 do que em seu antecessor. É necessário também ter paciência para vasculhar todo o detalhado cenário para descobrir itens novos e bônus que podem fazer a diferença na hora em que a ação for correr solta.
Entre as armas disponíveis para atacar os inimigos temos a Arma de Rebites (Rivet Gun), Metralhadora, Espingarda, Lança Arpões, Lança Granadas e as conhecidas ferramentas para hackear os sistemas de defesa e vigilância do jogo. Dito assim, pode não parecer ampla variedade, porém o grande diferencial aqui é que cada arma possui pelo menos três tipos de munição que adicionam bastante estratégia. A Arma de Rebites, por exemplo, possui uma munição que permite deixar armadilhas espalhadas pelo cenário. Também agora é possível hackear à distância certos aparelhos ou mesmo colocar mini sentry guns. No quesito ataque corpo-a-corpo, o jogador dispõe de uma enorme broca no braço direito, que para funcionar plenamente necessita de combustível.
Esse sistema de armas é bastante variado e complexo, mas o principal problema é que confunde muito o jogador - pelo menos no início de jogo. É comum acabar a munição e não sabermos ao certo se o melhor é trocar de arma ou de munição. Ainda mais que a munição se mostra muito escassa em boa parte do jogo – o que irá chatear quem gosta de atirar para todos os lados no estilo Rambo e acaba levando certo tempo até dominarmos esse aspecto para saber economizar e atirar só o necessário. Além disso, a broca para o ataque corpo-a-corpo situa-se no braço direito, mas é acionada pelo botão esquerdo do mouse, e isso poderá causar desconforto nos primeiros momentos.
A velha câmera fotográfica que funcionava como meio de upgrade a partir da pesquisa dos inimigos agora filma. O jogador deve começar a filmagem e matar o inimigo de uma maneira criativa e diferente a cada oportunidade. Quanto mais impressionante for a morte do alvo, mais rápido descobrirá os pontos fracos do inimigo e ganhará bônus de jogabilidade relativos aos pontos fortes dos inimigos pesquisados.
Os mini-games para hackear sistemas de defesa ou segurança já não interrompem o jogo com nova tela, mas acontecem em tempo real enquanto a ação rola solta. Ao invés de canos com água, o jogador tem uma seta que se move rapidamente e deve ser rápido para apertar o botão do mouse no momento exato quando ela atravessar a cor verde ou azul.
Um jogo mais dinâmico

O preço a ser pago para tais alterações genéticas e aquisição de poderes é caro. Exige Adam, a substância mais preciosa de Rapture que só pode ser coletada e carregada pelas meninas chamadas Little Sisters, crianças geneticamente modificadas e escravizadas para esse tipo de tarefa. E aqui é sem dúvida o momento BioShock 2 brilha, pois o sistema de coletar Adam ficou muito mais interessante, dinâmico e estratégico.
Se antes era necessário apenas matar o Big Daddy que protegia a Little Sister, agora esse é apenas o primeiro passo de todo um processo. Depois de derrotar o Big Daddy, o jogador poderá adotar a Little Syster para si (lembre-se que você é um Big Daddy no jogo). Então ela o guiará para os “anjos”, ou seja, os corpos espalhados pelo cenário que possuem Adam. Enquanto ela faz a extração o jogador deverá protegê-la da onda de inimigos que é atiçada pelo manuseio da substância. Esta é a parte mais estratégica do jogo, afinal o que o jogador vai fazer? Colocar mini metralhadoras? Hackear câmeras ou mesmo colocar bombas de aproximação e armadilhas? Tudo é válido, pois como os inimigos vêm de todos os lados, é bastante complicado segurar as pontas só na base do tiro.
Depois de coletar Adam de alguns corpos seguindo o roteiro acima, o jogador deve devolver a menina ao sistema de ventilação. Novamente a escolha moral: matar a criança e coletar mais Adam ou apenas extrair o suficiente e preservar a menina? Essas decisões éticas são acompanhadas de outras durante o roteiro (matar ou não pessoas indefesas, etc) que vão definir qual o final do jogo– há vários deles.
Quando todas as Little Systers da fase forem devolvidas (ou mortas), chega a hora de conhecer um novo inimigo: a Big Sister. Elas são aquela primeira geração de meninas que cresceu e foram agora transformadas nessas monstruosidades. Elas são rápidas, mortais e poderosas. E não importa onde você esteja no cenário, não se consegue fugir delas, é imperativo enfrentá-las. E falando dos inimigos, espere pela mesma turma do barulho do primeiro game, com mais algumas adições de classes de Big Daddys, as diferentes classes dos amalucados Splicers com adição do grandalhão Brute Splicer.
Missões e ambientação

Na parte gráfica, apesar do jogo continuar com uma engine que apresenta gráficos espetaculares com alta performance, não há muita novidade em se comparado a 2007. Obviamente foram feitas várias melhoras, mas nada que se possa classificar como revolucionário.
Os desenvolvedores trabalharam bastante esses 3 anos e mantiveram no topo uma das grandes características da franquia: cenários extremamente detalhados. A direção de arte é impecável e a única falha que notamos foi em algumas texturas de baixa resolução aqui ou ali. O que compensa muito é a engine do game, que mesmo colocada à prova em resolução máxima e com todos os efeitos permite que o jogo rode de maneira bastante fluída, mesmo em máquinas medianas.
O áudio do game segue o estilo das músicas dos anos 60 e tem momentos ótimos que acompanham a ação ou suspense que se desenvolve na tela.
Multiplayer
Outra grande novidade de BioShock 2 é a presença de partidas para múltiplos jogadores. O ambiente do multiplayer é datado antes dos eventos da queda de Rapture, em uma espécie de guerra civil. Mais informações sobre a história, além de Plasmids e Gene Tonics são liberados conforme o jogador progride no multiplayer.
Pode-se escolher seis bizarros personagens no jogo, desde uma aparentemente “frágil” dona de casa até um famoso jogador de futebol, tornando assim uma experiência bem diferente do que vivenciamos na campanha solo.
Há sete modos de jogo no multiplayer. O primeiro chama-se Survival of the Fittest, que é uma espécie de mata-mata geral. O mesmo modo, mas em times, chama-se Civil War. Há também o modo Last Splicer Standing, em times, onde vence o ultimo a permanecer vivo. Outros modos também, apesar do nome diferenciado, são bastante comuns em multiplayer: Capture the Sister – um time protege a menina e o outro deve capturá-la; Adam Grab – deve-se capturar a Little Sister no mapa e mantê-la sob o domínio o maior tempo possível; Team Adam Grab – o mesmo modo anterior só que em times; Turf War – uma espécie de captura de pontos específicos do mapa.
Uma variação interessante adicionada é a armadura do Big Daddy que aparece em um lugar aleatório do mapa, permitindo que qualquer jogador a vista, dando ao sortudo as habilidades do grandalhão, mas tirando os poderes de plasmids para não ficar muito desequilibrado.
Valeu a pena a esperar pelo regresso a Rapture?
Com você leu, o multiplayer tem bastante variedade de modos, mas apesar dos nomes diferentes e chamativos, não há nada de essencialmente novo aqui. É em resumo tudo aquilo que outros jogos trazem como padrão para multijogadores. Além disso, como é um sistema baseado em raking e upgrades, os jogadores que dedicarem mais tempo jogando vão ter mais facilidades e bônus diante dos casuais.
Em resumo, o multiplayer é divertido? Depende do que você está buscando. Se você gosta de variedade e muitos modos de jogo, vai encontrar diversão em BioShock 2. Mas, se você esperava algo revolucionário, poderá vai encontrar mais do mesmo e se frustrar.
Tudo isso acrescenta um razoável de replay ao game, uma vez que existem vários finais possíveis no single-player e o jogador pode desenvolver um personagem completamente diferente a cada tentativa. Uma pena que tenha, ao total, apenas 15 horas de jogo. A impressão que fica é que fica cada vez mais difícil para o estúdio Irrational Games tirar novas ideias de um enredo tão bem explorado no game anterior.
Não que o jogo em si tenha perdido seu glamour. O problema é que o primeiro game foi muito mais revolucionário do que o segundo, mas realmente ficaria difícil trazer tanto impacto quando já se conhece toda a intrigante história de Rapture. Para quem curtiu o primeiro, certamente tem tudo para passar bons momentos em BioShock 2, e seria um pecado deixar de conhecer tudo o que ele tem a oferecer.
Quanto ao futuro da série, nos parece um tanto quanto limitado para não cair no “mais do mesmo”. Quem sabe não é o momento de fechar uma trilogia com uma prequel, permitindo que o jogador conheça o game antes da queda de Rapture? Fica aqui a nossa sugestão para um possível BioShock 3.
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